terça-feira, 27 de março de 2012

Sociedade dos Poetas Mortos - Oh Captain! My Captain

John Keating rodeado por seus alunos
Após um longo período sem postagens, o Frames para Sempre está de volta lembrando um clássico da década de 80. Filme obrigatório para qualquer pedagogo (e não só para eles), Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989) é uma história sobre a capacidade humana de pensar sobre sua condição, e, através disso, transgredir regras e interdições, mesmo as mais ferrenhas. 

No longa dirigido por Peter Weir, John Keating (Robin Williams) é um professor de literatura que volta à escola onde foi educado para dar aulas. No entanto, seus métodos se opõem totalmente àqueles utilizados na escola, uma instituição ortodoxa, que ao invés de incentivar o livre pensamento, tenta moldar a cabeça de seus estudantes. 

Alunos protestam contra demissão
de Keating
Logo seu estilo entra em rota de colisão com a direção do colégio, que tenta coibir os ideais libertários que o professor tenta incutir nos alunos. Nessa cena lembrada pelo Frames para Sempre de hoje, os discípulos de Keating se revoltam contra a exclusão do professor do quadro docente da escola, e, em um ato de protesto, sobem nas carteiras da sala e recitam o primeiro verso do poema Oh Captain! My Captain, de Walt Whitman.

Sociedade dos Poetas Mortos ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original, além de ter sido indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Robin Williams). Para além de toda a temática educacional envolvida na trama, o filme leva a questionamentos sobre o sentido da vida e a importância de aproveitá-la intensamente, retomando a ideia do Carpem Diem, do célebre poeta romano Horácio. Carpem scaena!



Veja a íntegra do poema de Walt Whitman:

O Captain my Captain! Our fearful trip is done,
The ship has weathered every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up--for you the flag is flung for you the bugle trills,
For you bouquets and ribboned wreaths for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

Tradução:

Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem
medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
O prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço
Os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
O barco raivoso e audaz:

Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.

Oh capitão! Meu capitão! Erga-se
e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas -
por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão
de faces ansiosas:

Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto.

Meu capitão não responde, seus lábios
estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
retorna com o almejado prêmio:

Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
caído, frio, morto.

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